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Campanha #IBelong: a meta de erradicar a apatridia

Em 2014, o ACNUR lançou a campanha #IBelong para acabar com a apatridia. Entenda a meta, o que ela mobilizou e o que ficou como legado depois dela.

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Por muito tempo, a apatridia foi um problema silencioso — reconhecido por tratados, mas raramente no centro das prioridades globais. Isso começou a mudar em 2014, quando o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados (UNHCR), lançou uma campanha ambiciosa com um nome simples e direto: #IBelong (“Eu Pertenço”).

Uma meta clara

A proposta da #IBelong era ousada: mobilizar governos, organizações e sociedade civil em torno do objetivo de acabar com a apatridia dentro de um horizonte de dez anos. A ideia por trás disso era que a apatridia, ao contrário de muitos problemas globais, tem soluções conhecidas — o que faltava era vontade política e ação coordenada.

O nome da campanha carregava a mensagem central. Pertencer a algum lugar, ter uma nacionalidade que o Estado reconheça, não deveria ser privilégio. É a condição básica para que todas as outras portas — escola, trabalho, saúde, viagem — possam se abrir.

O que a campanha propunha na prática

A #IBelong não era apenas um slogan. Ela veio acompanhada de um plano de ação com metas concretas para os Estados. Entre as linhas de trabalho estavam:

  • Resolver situações existentes de apatridia, permitindo que populações há muito sem nacionalidade fossem reconhecidas.
  • Prevenir novos casos, sobretudo garantindo que nenhuma criança nascesse apátrida.
  • Reformar leis discriminatórias, incluindo as que impediam mães de transmitir a nacionalidade em igualdade com os pais.
  • Melhorar a identificação e o registro de pessoas apátridas, muitas vezes invisíveis nas estatísticas.

A campanha também buscou dar rosto e voz ao tema. Levar histórias de pessoas apátridas ao público ajudou a transformar um assunto técnico em algo humano e urgente.

O que veio depois

Uma meta de dez anos naturalmente convida a um balanço quando o prazo se aproxima. A experiência da #IBelong mostrou avanços reais — mudanças em leis, reconhecimento de populações, maior atenção internacional — mas também deixou claro que erradicar a apatridia é mais difícil do que fixar uma data.

Por isso, o esforço não terminou com o encerramento simbólico da campanha. O compromisso migrou para novos arranjos de cooperação internacional, que buscam manter o tema vivo e dar continuidade ao trabalho. A lição que ficou é dupla: por um lado, é possível reduzir a apatridia de forma concreta; por outro, isso exige um esforço sustentado, que não cabe em um único prazo.

Um legado que permanece

Mais do que uma meta cumprida ou não, a #IBelong deixou um legado de consciência. Ela colocou a apatridia no mapa das prioridades globais e reafirmou uma ideia simples: toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. Enquanto houver quem viva sem pertencer a lugar nenhum, esse chamado continua atual.